3 apresentações de destaque sobre jornalismo digital do SBPJOR 2017

“Jornalismo e os Direitos Humanos” foi o tema central do 15º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo da SBPJOR, realizado entre os dias 8 a 10 de novembro de 20017 na ECA-USP. Infelizmente, não consegui me organizar para ver as mesas sobre o tema, incluindo aí a conferência de abertura com a professora Jyotika Ramaprasad. Acabei focando na minha área de atuação, o jornalismo digital, me desdobrando para acompanhar algumas comunicações coordenadas e individuais sobre o tema.

Abaixo segue a minha lista dos alguns dos trabalhos que mais chamaram a minha atenção no evento – destacando que assisti apenas 16 apresentações em 3 dias, e, registrando por alto, tivemos pelo menos outros 25 pesquisas relacionadas ao jornalismo digital ou a atuação de jornalistas em redes sociais apresentadas no evento. Por isto , não se atenha a minha lista: vale a pena olhar o caderno de resumos e fazer uma busca por palavras-chave do seu interesse ou pelo menos conferir os anais eletrônicos do encontro.

Análise de qualidade de notícia: WhatsApp como ferramenta de produção de conteúdo em cibermeios jornalísticos

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Parece que o WhatsApp é a plataforma da vez na preferência dos pesquisadores da área do jornalismo digital. No XIV Seminário Internacional da Comunicação da Famecos/PUCRS, também ocorrido neste mês de novembro, assisti a duas apresentações de trabalho relacionadas ao programa de mensagens do Facebook. Já no SBPJor, foram apresentadas quatro pesquisas apresentadas relacionadas ao WhatsApp – todas elas com enfoques bem diferentes. Neste trabalho aqui, o professor Gerson Luiz Martins, da UFMS, e a mestranda Angela Werdemberg investigam o aproveitamento do conteúdo enviado por leitores via WhatsApp nas redações do Campo Grande News, Correio do Estado e Midiamax News. Em um período de três meses ao longo de três diferentes anos, estes veículos publicaram 273 matérias a partir de informações recebidas pelo messenger (o texto não faz a conta, mas isto é aproximadamente 1,15% do total de matérias postadas). Observou-se que mais da metade das colaborações que foram para o ar continham fotos e mais de 10% continham vídeos. O texto destaca um acontecimento em especial que gerou grande repercussão nos 3 sites, uma briga ocorrida em uma casa noturna, rendendo múltiplos posts com grande volume de acessos. Mas fora isto, a maioria das colaborações pela internet são referentes a problemas de trânsito na cidade. A pesquisa inclui vários outros insights interessantes mas ela é só um pedaço de um trabalho maior – já que os dados levantados foram checados junto aos editores do sites pesquisados, gerando ainda mais informações úteis sobre a participação do leitor via WhatsApp.

Interatividade e visualização de notícias em apps: um design baseado em Cards

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Meu primeiro anteprojeto de dissertação de mestrado era uma proposta de investigar o que define o design e a arquitetura da informação dos sites jornalísticos. O trabalho não passou e agora percebo bem o motivo, ao ver o tortuoso caminho que a professora Rita Paulino, da UFSC, precisa percorrer em seu artigo para definir categorias de análise para um estudo da interface de apps para smartphones. Analisar o conteúdo é uma coisa, analisar interface é outra bem mais complexa. No texto, Rita se dedica aos cards, ou cartões, um dos formatos mais utilizados para organizar informações em aplicativos. Analisa então o uso dos cards nos aplicativos para dispositivos android da BBCNews, CNN e O Globo. Para sua surpresa, apesar da boa documentação que os desenvolvedores já fizeram dos cards e suas possibilidades, nenhum dos três aplicativos faz uso de recursos de movimento – transições e animações que permitam movimentar os cards, ampliarinformações ou esconder elas. Ou seja, os apps jornalísticos, sejam eles de uma grande empresa brasileira, norte-americana ou britânica, poderiam ser esteticamente ainda mais atraentes e interativos do que são.

Um panorama das notícias automatizadas no mundo

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Krishma Carreira defendeu este ano dissertação de mestrado na Umesp que abordou um tema particularmente espinhoso para nós jornalistas: a criação de notícias por robôs. Sua apresentação no SBPJOR trouxe um pequeno recorte da dissertação, atualizando os dados do número de empresas que já fazem uso de sistemas de inteligência artificial para escrever notícias: já são 62 diferentes sites, espalhados em 11 países. Vale destacar que ainda não há nenhum sinal à vista sobre o uso de sistema de geração de notícias automatizadas no Brasil (aliás, a impressão que tenho é que o nível de automação de processos nos nossos sites e portais é baixo, a gente não confia sequer nas nossas agências de notícias, imagina em bots). Mas, como Krishma destaca, é possível que já tenhamos lido um texto escrito por um algoritmo sem saber, porque a tecnologia é largamente usada por agências de notícias como a Reuters, a Associated Press e a Xinhua. O artigo também serve como uma bela introdução ao tema, aproximando para a área do jornalismo conceitos como os de inteligência artificial, algoritmos, big data e geração de linguagem natural e debatendo a terminologia ideal pra esta forma de produção de conteúdo.

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Paulo Serpa Antunes Escrito por

Jornalista especialista em jornalismo digital, com mestrador em Comunicação Social da PUCRS. Editor de internet do Jornal do Comércio e fundador do blog TeleSéries.

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