Debatendo a notícia em tempo de redes sociais (entre amigos)

No último dia 9 de abril tive a alegria de participar de um painel sobre o tema “A notícia em tempo de redes sociais”. A sede da Associação Riograndense de Imprensa lotou para receber estudantes de comunicação da Unisinos, Uniritter e IPA para um bate-papo comandando pela professora Laura Glüer e com as presença dos colegas Rodrigo Lopes (editor de Zero Hora e professor da Uniritter), Tiago Medina (subeditor no Correio do Povo) e Daniel Bittencourt (professor na Unisinos).

O colega Glei Soares gravou os primeiro minutos da minha fala. Ali eu tento, sem muito sucesso, expressar a minha alegria de participar de um debate ao lado do Tiago, do Rodrigo e do Daniel, todos velhos conhecidos do mercado de trabalho, e começo (sem muito sucesso, admito), a esboçar as minhas três principais ideias para o debate sobre o tema:

O que eu queria dizer para aquela plateia, mesmo, era:

1. Existe uma crise de qualidade no jornalismo, sim, mas na origem ela é mesmo uma crise de distribuição. Por isto li o textinho abaixo, que por sinal é parte deste relatório, do The New York Times. A imprensa tradicional errou lá atrás, ao não criar os serviços necessários para trazer os leitores para os seus sites e desenvolver o ambiente para mantê-lo fiel.

Distribuição

2. Aproveitei a presença do colega Rodrigo Lopes, que acabou se tornando a face do “jornalista multimídia” no Rio Grande do Sul, para dizer aos estudantes para não se preocuparem tanto em serem “jornalistas multimídia” mas sim em se tornarem “jornalistas social media”. Eu não contrataria hoje um jornalista que não sabe usar, se portar e explorar as redes sociais. Assim como eu desconfio dos colegas jornalistas que são incapazes de compartilhar o conteúdo que produzem. Pôxa, se você não vai endossar o que você escreveu, quem irá?

Perfil profissional

3. Por fim abordei a questão do fim do furo jornalístico. Ou melhor, que devemos acabar com a obsessão de um determinado tipo de furo jornalístico – de correr para querer ser o primeiro a disseminar alguma informação trivial em primeira mão, antes dos concorrentes.

Isto é efeito direto das redes sociais sobre a nossa profissão: elas reduziram o nosso papel de intermediário entre o acontecimento e o público. Pesquei como exemplo, o caso da Manuela D’Ávila, em 2012, admitindo a derrota na eleição junto ao seu eleitorado via Twitter momentos antes de falar com a imprensa. Eu ainda havia trazido outro exemplo que acabei não usando – uma declaração do produtor de TV Ryan Murphy, naquele mesmo dia, comunicando a contratação de uma atriz para seu próximo projeto. Há alguns anos esta seria uma notícia exclusiva do TV Guide ou da Variety, hoje é uma informação que o artista repassa diretamente aos seus seguidores.

O fim do furo

Neste ponto a professora Laura Gluer me salvou, complementando a minha observação com muito mais propriedade, falando que as redes sociais levam ao “empoderamento das fontes”. As fontes não precisam mais dos jornais, do rádio ou da TV para atingir o público.

Por que devemos evitar o furo? Porque a rede é veloz. E se tentarmos ser mais rápidos que a rede, certamente cometeremos imprecisões. Certamente iremos errar. Mas isto é outra história, pra outro debate.

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Paulo Serpa Antunes Escrito por

Jornalista especialista em jornalismo digital, com mestrador em Comunicação Social da PUCRS. Editor de internet do Jornal do Comércio e fundador do blog TeleSéries.

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