Relendo Negroponte

Entre os dias 6 e 8 de novembro de 2017 estarei participando do XIV Seminário Internacional da Comunicação (Seicom), promovido pelo PPGCOM da Famecos/PUCRS. Esta será a minha segunda participação no evento, desta vez apresentando trabalho no GT de Tecnologias do Imaginário e Cibercultura. A minha apresentação não terá relação com os temas desenvolvidos na minha dissertação de mestrado, mas é um desdobramento de um artigo que desenvolvi durante o curso, para a disciplina de Convergência e Ubiquidade, do professor Eduardo Pellanda.

A proposta deste trabalho, chamado Relendo Negroponte, é fazer uma releitura crítica do livro A Vida Digital (Being Digital), de Nicholas Negroponte – que também foi o primeiro livro que li na Faculdade de Comunicação, há mais de duas décadas. Reproduzo abaixo o resumo expandido do trabalho abaixo, aguardando pela oportunidade de apresentar e publicar este trabalho em breve:

Lançado em 1995 nos Estados Unidos e no Brasil, A Vida Digital, de Nicholas Negroponte, se tornou em pouco tempo leitura obrigatória entre profissionais da área da administração, da comunicação, das finanças e de quem mais estivesse iniciando a travessia da chamada “superestrada da informação”. Arauto da tecnofilia – ainda que exerça em muitos momentos da obra uma postura crítica dos rumos tomados por determinadas tendências tecnológicas ou pelas decisões econômicas que as motivam – Negroponte é um autor alinhado ao determinismo tecnológico. Diferente de Innis (2011) ou McLuhan (1964), Negroponte se coloca no papel ora de tradutor, ensinando conceitos tecnológicos então sofisticados para a grande maioria do público, ora de um visionário, apontando e imaginando mudanças tecnológicas que estavam (ou ainda estão) por acontecer. Este trabalho se propõe a fazer uma releitura de A Vida Digital, apontando as previsões corretas e incorretas de Negroponte, passados 22 anos da publicação de sua obra mais lida e comentada. Encontramos ali as pistas iniciais, descrita em linhas gerais, de alguns conceitos-chave da tecnologia e da comunicação no século XXI: como a percepção que a internet cria mercados de nicho, como observado por Anderson (2006), ou a convergência, termo popularizado por Jenkins (2009). Observa-se que Negroponte não é um teórico da comunicação digital e quando tenta fazê-lo geralmente não é feliz. O autor, no entanto, observa e antevê a digitalização de múltiplos aspectos vida de uma posição privilegiada: acompanhando de perto a pesquisa acadêmica, privada e governamental na área tecnológica e como fundador da Wired, revista que capturou o espírito de uma geração que já se sentia parte da revolução nas ciências de informação e da comunicação. Negroponte é mais prático que teórico. Compreendendo isto, percebe-se que A Vida Digital se mantém uma obra de referência sólida, que resiste ao teste do tempo.

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Paulo Serpa Antunes Escrito por

Jornalista especialista em jornalismo digital, com mestrador em Comunicação Social da PUCRS. Editor de internet do Jornal do Comércio e fundador do blog TeleSéries.

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